Festival de Yule – Solstício de Inverno.

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Yule é a antiga e milenar celebração do Solstício de Inverno (quando o Sol atinge a maior distância angular em relação ao plano que passa pela linha do equador) que ocorre por volta de 21 de dezembro no Hemisfério Norte e 21 de junho no Hemisfério Sul.

É impossível discutir as Tradições de Yule sem mencionar o Natal. Muitos dos costumes de Yule foram absorvidos pela Igreja cristã, quando o Cristianismo tentava se estabelecer na Europa. O Natal Cristão já foi festejado em várias datas diferentes no decorrer dos séculos, mas se estabeleceu no dia 25 de dezembro, pois associou muitos dos costumes da antiga e milenar celebração do Solstício de Inverno. As Tradições Cristãs dizem que Maria deu à luz Jesus no vigésimo quinto dia, mas não confirma de qual mês. Finalmente em 320 d.C. a Igreja Cristã decidiu marcar o nascimento de Cristo em dezembro, associando definitivamente a celebração com o culto sagrado do Solstício de Inverno dos celtas e saxões.

Há muitas práticas que são utilizadas por Cristãos hoje que possuem origens essencialmente Pagãs. A Árvore de Natal, decorada com bolas e uma estrela no topo, tem uma grande semelhança com a antiga árvore que os pagãos decoravam nos tempos ancestrais com velas, comidas e bolas coloridas (símbolos fálicos relacionados ao Deus) encimada por um Pentagrama, o símbolo da Bruxaria que representa a união dos 5 elementos da vida. As guirlandas, o azevinho e até a Tora de Yule queimando no fogo são todos costumes Pagãos.

Muitos Pagãos celebram Yule como o festival da Luz, que comemora a Deusa como Mãe que dá nascimento ao Deus Sol, a Criança da Promessa. Outros celebram a vitória do Deus da Luz (Rei do Carvalho) sobre o Rei das Sombras (Rei do Azevinho), pois a partir desse momento os dias se tornarão visivelmente mais longos com o passar do tempo, mesmo com frio.

Esse Sabbath representa o retorno da luz. É quando na noite mais escura e fria do ano, a Deusa dá nascimento à Criança do Sol e as esperanças renascem, pois essa criança trará calor e fertilidade à Terra. Yule é o tempo de celebrar o Deus Cornífero. Nesse dia, muitas tradições Pagãs se despedem da Deusa e dão boas-vindas ao Deus, que governará a metade clara do ano.

Dezembro era considerado um tempo ideal para colher o visco, muito mágico para os Antigos Druidas, que o chamavam de o “Ramos Dourado”. Os Druidas acreditavam que o visco possuía grandes poderes de cura e possibilitava ao homem mortal acessar o Outro Mundo (A Espiritualidade). O visco é um dos símbolos fálicos do Deus e possui esse significado baseado na ideia de que as bagas brancas representam o Divino sêmen do Deus, em contraste às bagas vermelhas do azevinho que representam o sangue menstrual da Deusa. O visco representa a simbólica substância divina e o senso de imortalidade que todos precisam possuir nos tempos de Yule.

A Tradição da Árvore de Natal tem origem nas celebrações Pagãs de Yule, nas quais as famílias traziam uma árvore verde para dentro de casa para que os espíritos da Natureza tivessem um lugar confortável para permanecer durante o Inverno frio. Sinos eram colocados nos galhos da árvore. Os espíritos da Natureza eram presenteados e as pessoas pediam aos elementais que as mantivessem vivas e fortes durante o Inverno, assim como a árvore que recebia lindos enfeites.

O pinheiro sempre esteve associado com a Grande Deusa. As luzes e os ornamentos como Sol, Lua e estrelas que faziam parte da decoração das árvores, representavam os espíritos que eram lembrados no final de cada ano. Presentes eram colocados aos pés da árvore para as Divindades e isso resultou na moderna troca de presentes da atual festa natalina.

As cores tradicionais do Natal, verde e vermelho, também são de origem Pagã, pois este é um Sabbath que celebra o Fogo (vermelho) e usa uma Tora de Yule (verde). Um pedaço de tronco que havia sido preservado durante todo o decorrer do ano era queimado, enquanto um outro novo era enfeitado e guardado para proteger toda casa durante o ano que viria. Além disso, esses troncos geralmente eram decorados com símbolos que representassem o que as pessoas queiram atrair para suas vidas.

Para os antigos celtas, celebrar o Solstício de Inverno era o mesmo que reafirmar a continuação da vida, pois Yule é o tempo de celebrar o espírito da Terra, pedindo coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades que atravessaremos até a chegada da Primavera. É o momento de fraternidade, contar histórias, canta e dançar com a família, celebrando a vida e a união.

O tema principal desse Sabbath é a Luz em todas as suas manifestações, seja o fogo da lareira, seja de uma fogueira, velas, etc. A Luz nesse Festival torna-se um elemento mágico capaz de ajudar o Sol a retornar para a Terra, para nossas vidas, corações e mentes.

Happy Yule, que a Luz Brilhe cada vez mais forte!

Imagem: Illustration by Susan Seddon-Boulet.

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Super Lua Nova de Gêmeos.

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A potente Super Lua Nova está no signo de Gêmeos desde ontem 25 de maio de 2017 e marca o início de um novo ciclo energético. Contudo, antes que esta nova energia possa surgir, a velha energia tem que ser limpa.

A velha energia que estamos limpando desta vez, vem dos eventos que se agitaram em torno da Lua Cheia de Escorpião no início do mês, que provavelmente trouxe coisas para a superfície que precisavam ser limpas há algum tempo.

Mesmo que esta Lua cheia tenha sido apenas há algumas semanas atrás é provável que também tenha trazido coisas do ano passado para a superfície. Considere refletir questões do passado em sua vida e perceba como sua viagem se desdobrou e como certos temas devem ter voltado para serem limpos ou trabalhados de uma vez por todas.

As luas novas e as luas cheias representam sempre o começo e o fim de um ciclo, mas frequentemente seu impacto persiste por meses ou mesmo por anos. Isto é especialmente verdadeiro quando temos uma Super Lua ou um Eclipse.

A Super Lua Nova deste mês também será seguida por outra Super Lua Nova em junho. Este duplo golpe de energia lunar significa que as coisas nas próximas semanas podem ficar intensas. A Lua é responsável por nossas emoções e sentimentos mais profundos. Ela rege os mundos invisíveis e pode trazer o que está escondido em nossa mente subconsciente para o consciente. Provavelmente esse movimento nos desafiará à fazermos mudanças profundas em nossa alma.

A Lua também nos desafia a prestar atenção a nossa intuição e ao lado mais energético ou espiritual da vida. À medida que a Super Lua Nova se alinha em Gêmeos, ela nos provocará à termos atenção em nossos pensamentos e sentimentos, revelando como nos comunicamos com nós mesmos, com os outros e com o mundo.

A energia de Gêmeos é muito intensa e agitada. Portanto, haverá momentos em que experimentaremos a fuga de nossos pensamentos concretos, numa espécie de delírios desfocados.

Faz-se necessário compreender que nossos pensamentos vibram como um fluxo energético que flutua acima de nossas cabeças e que este fluxo nos coloca em alinhamento com a vibração do fluxo de outras pessoas, situações, lugares, etc.

Nossos pensamentos não são quem nós somos. Nós somos, de fato, o crítico de nossos pensamentos e sempre decidimos ou selecionamos, qual parte desses pensamentos acreditamos. Por esta razão, nossas crenças podem nos fazer sofrer ou vencer.

O Universo não causa nosso sofrimento, nós o causamos, nossos pensamentos o causam. Os eventos vêm e vão, mas são os pensamentos que temos que nos fazem sofrer muito mais. Ressaltamos, nos preocupamos, ficamos com medo e logo nos sentimos mentalmente, emocionalmente e até fisicamente doentes.

Esta Lua Nova vai nos desafiar a vermos nossos pensamentos de forma diferente. A energia de Gêmeos vai nos guiar para lembrarmos que somos simplesmente os críticos de nossos pensamentos e que nossos pensamentos não precisam nos definir, mas podem nos fortalecer.

Este é um poder que todos nós temos, somos os responsáveis por criticar nossos pensamentos e o que nós escolhemos pode ter um enorme impacto sobre como vemos nossas vidas.

Esta Super Lua em Gêmeos definitivamente vai trabalhar com nossas mentes e incentivar-nos a rever e avaliar nossas autocríticas e consequentemente reprogramar nossos sentimentos e atitudes.

Quando você puder dominar seus pensamentos, será capaz de dominar a sua vida! Então, use esta Lua Nova como uma oportunidade para reprogramar a maneira que você se vê e assim empoderar-se para um novo ciclo em sua vida.

Abençoado seja!

Imagem: Digital Art by Christian Schloe.

https://goo.gl/IhpMYN

Sabbath de Samhain – Ano Novo dos Bruxos.

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Samhain (pronuncia-se Sou-ein), festejado em 31 de outubro no hemisfério Norte e em 1º de maio no hemisfério Sul, é o Ano-Novo dos Bruxos. Esse dia sagrado é conhecido por inúmeros nomes. Para muitos talvez, o mais conhecido seja Halloween. Para nós, Bruxos, é a festa na qual honramos nossos ancestrais e aqueles que já tenham partido para o País do Verão.

Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também o momento tradicional para celebrar a última das colheitas e se preparar para o Inverno.

O poder de magia pode ser sentido no ar nessa noite. O Outro Mundo se coaduna com o nosso conforme a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. Os espíritos daqueles que já partiram para o outro plano são mais acessíveis durante a noite de Samhain.

Samhain ocorre no pico do Outono. É o tempo do ano em que o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol está enfraquecendo cada vez mais rapidamente, a sombra cresce e as folhas das árvores estão caindo, numa preparação ao Inverno que chegará. Essa é a última colheita, o tempo em que os antigos povos da Europa sacrificavam seus gados e preservavam sua carne para o Inverno, pois esses animais não podiam sobreviver em grande escala nesse período do ano devido ao frio vindouro. Só uma pequena parte, os mais viris e fortes, era mantida para o ano seguinte.

Samhain é a noite em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência nas próximas seis semanas. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, de acordo com as medições feitas através das antigas pedras da Britânia e da Irlanda, razão pela qual os Celtas escolheram esse Sabbath, em vez de Yule, para representar o Ano-Novo. Para os Antigos Celtas, esse dia sagrado marca e divide o ano em duas estações, Inverno e Verão. Samhain era o dia no qual começavam o Ano-Novo celta e o Inverno, por isso era um tempo ideal para términos e começos.

É o dia ideal para honrar os mortos, pois nele os véus que separam os mundos estão mais finos. Aqueles que morreram no ano passado e aqueles que estão reencarnando passam através dos véus e portais nesse dia. Os Portões das Sidhe estão abertos e nem humanos nem fadas precisam de senhas para entrar e sair.

Em Samhain, o Deus finalmente morre, mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa. Isto simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais, o Deus torna-se então o Senhor da Morte e das Sombras.

Samhain é um festival do fogo e é a entrada para a parte sombria e fria da Roda do Ano. É em Samhain que as fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao País do Verão.

Samhain é o tempo de lembrarmos com amor aqueles que partiram para o outro lado, por isso é chamado de a Festa Ancestral. Toda a família ou grupo se reúne para reverenciar os que já partiram. É muito comum nesse Sabbath se realizar uma ceia em silêncio, conectando-se com aqueles que já cruzaram os portais dos mundos. É tradicional também deixar um lugar à mesa para os ancestrais e lhes servir pratos como se eles estivessem presentes à ceia.

Para aqueles que não têm família para festejar e celebrar seus ancestrais, alimentos geralmente são deixados do lado de fora de casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados.

É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta e nos visitarem.  

De acordo com os antigos celtas, havia apenas duas divisões do ano que eram de Beltane a Samhain (Verão) e de Samhain a Beltane (Inverno).

Samhain é um dos quatro grandes Sabbaths e muitas vezes é considerado o Grande Sabbath.  

Por ser o maior de todos e o mais importante também, todos os Pagãos consideram Samhain como a noite mais mágica do ano. Muitas práticas adivinhatórias foram associadas a Samhain, as mais comuns eram aquelas que prenunciavam casamentos e fortunas para o próximo ano que estava se iniciando.

Uma das tradições mais comuns praticadas pelos povos antigos era a de colocar várias maçãs em um grande barril de água. Várias mulheres se reuniam em volta do barril e a primeira que conseguisse pegar uma das maçãs seria a primeira a casar no próximo ano.

Na Escócia, colocavam-se pedras entre as cinzas da lareira, deixando-as “descansar” durante a noite. Se alguma pedra fosse descoberta durante a noite, representaria a morte iminente durante o próximo ano de um dos moradores da residência.  

Sem sombra de dúvida a prática mais famosa do Samhain é o Jack O’Lantern (máscaras de abóboras) que sobrevive até hoje nas modernas celebrações do Halloween. Vários historiadores atribuem suas origens aos escoceses, enquanto outros lhe conferem origem irlandesa. Para os Pagãos, as máscaras representavam os ancestrais que foram queimados em fogueiras, num símbolo de respeito e purificação aos seus espíritos.

Além disso, as máscaras eram utilizadas por pessoas que precisavam sair durante a noite de Samhain. As sombras provocadas pela face esculpida na abóbora tinham a virtude de afastar os maus espíritos e todos os seres do outro mundo que vinham para perturbar. Máscaras de abóboras também eram colocadas nos batentes das janelas e em frente à porta de entrada para proteger toda a casa.

O costume norte-americano de vestir-se com trajes típicos e sair pelas casas dizendo Trick or Treating nas noites de Halloween, é de origem céltica. Nos tempos antigos o costume não era relegado às crianças, mas sim aos adultos. Em tempos ancestrais, os vagantes iam cantando cânticos da época de casa em casa e eram presenteados com agrados pelo seus habitantes. O Treat (presente) também era requerido pelos espíritos ancestrais nessa noite através de oferendas.

O Deus neste período é identificado com os animais que eram sacrificados para continuidade da vida e dessa forma, os sacrifícios simbolizavam a benção para o renascimento e a evolução do espírito.

Samhain é um tempo para a reflexão, no qual olhamos para o ano mágico que passou e estabelecemos as metas para nossa vida no ano que entra.

Happy Samhain, Feliz Ciclo Novo!

Imagem: Art Illustration by Irina Vinnik.

http://www.irinavinnik.com/

Dia em Honra de Gaia. 

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Gaia, Geia ou (em grego: Γαία, transl.: Gaía) na mitologia grega é a Mãe-Terra, como elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora incrível. Segundo Hesíodo, no princípio surge o Caos (o vazio) e dele nascem Gaia, Tártaro (o abismo), Eros (o amor), Érebo (as trevas) e Nix (a noite).

Gaia gerou sozinha Urano (o Céu), Ponto (o mar) e as Óreas (as montanhas). Ela gerou Urano, com o desejo de ter alguém que a cobrisse completamente e para que houvesse um lar eterno para os deuses “bem-aventurados”.

Com Ponto, Gaia gerou Nereu: É um Deus marinho primitivo, representado como um idoso o velho do mar. Além de Fórcis, Ceto, Euríbia e Taumas.

Com Urano, Gaia gerou os doze titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, a coroada de ouro Febe e a amada Tétis; por fim nasceu Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai.

Pouco tempo depois de conceberem os titãs, Urano e Gaia geraram os três ciclopes e os três hecatônquiros. Como Urano era capaz de prever o futuro, temeu o poder desses filhos, percebendo que se tornariam poderosos e os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, clamou pelo favor de seus filhos titãs e pediu auxílio para libertarem os irmãos e vingarem-se do pai. Dos doze irmãos porém, somente Cronos aceitou a conspiração.

Gaia então retirou do peito o aço e com o auxílio de Nix, dele fez a foice dentada. Concedeu-a a Cronos e o escondeu, para que quando viesse o pai durante a noite, não percebesse sua presença. Ao descer Urano para se unir mais uma vez com a esposa, foi surpreendido por Cronos que o atacou e castrou, separando assim o Céu e a Terra.

Cronos lançou os testículos de Urano ao mar, mas algumas gotas caíram sobre a terra, fecundando-a. Do sangue de Urano derramado sobre Gaia, nasceram os gigantes, as erínias as melíades.

Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou nova vingança.

Já havendo assumido regência do universo e se casado com Reia, Cronos foi por Urano advertido de que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém-nascido tal qual o fizera o pai. Contudo, Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus, escondendo-o em uma caverna num monte em Creta, onde seria amamentado pela cabra Aix da ninfa Amalteia. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorá-lo, entregou-lhe uma pedra.

Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais titãs com suporte de Gaia. Durante cem anos nenhum dos lados chegava ao triunfo. Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três ciclopes e os três hecatônquiros. Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus.

Num primeiro momento, ela pariu os incontáveis andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos. Os andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes e escalavam o Olimpo com a intenção de destruir Zeus, mas por conselhos de Têmis, ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio. Assim feito, Zeus venceu.

Noutra oportunidade, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade aos gigantes; todavia a planta necessitava de luz para crescer. Ao saber disto Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as Estrelas não subissem ao céu e escondido nos véus de Nix, ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os gigantes a empilharem as montanhas na intenção de escalar o céu e invadir o Olimpo. Zeus e os outros deuses permaneceram invictos, entretanto.

Como última alternativa, Gaia enviou seu filho mais novo e o mais horrendo, Tifão, para dar cabo dos deuses e seus aliados. Os deuses se uniram contra a terrível criatura e depois duma terrível e sangrenta batalha, lograram triunfar sobre a última intentona e prole de Gaia.

Enfim, Gaia cedeu e concordou com Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo. Dessa forma foi ela recebida como uma titã olímpica.

Salvas a Gaia, Mãe Terra!

 

Dia em Honra da Deusa persa Anahita.

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Ardvi (ou Aredvi) Sura Anahita (Arədvī Sūrā Anāhitā) ou simplesmente, Anahita (que significa “A força imaculada da água”) é a Deusa persa antiga que personifica a fonte celeste de todas as águas da terra, sendo o poder fertilizador da Lua, da água e da chuva – a água que vem das estrelas, por isso ela também é vista como uma Deusa do Amor e é responsável pela produção da vida. É padroeira da reprodução, aquela que purifica o sêmen do homem e abençoa o ventre e os seios da mulher.

Anahita personifica as qualidades físicas e metafóricas da água (úmida, forte, imaculada) especialmente o poder fertilizador que fluía da sua fonte sobrenatural nas estrelas e ela regia todas as águas: dos rios, córregos, cachoeira, lagos, mar, chuva, o orvalho e o líquido amniótico. Devido às suas qualidades maternais, Anahita presidia na concepção e geração das crianças (purificando o sêmen, fortalecendo o útero e abençoando o leite) sendo portanto, a padroeira das mulheres e crianças, uma das muitas manifestações da Grande Mãe das tradições orientais.

Por sua associação com a Lua ela também é tida como uma Deusa da noite e das estrelas. Em dado momento ela era a figura da mãe, a que nutria. E em outro, a da guerreira, a que defende seus protegidos, a Senhora da vitória nas guerras.

Nas suas representações Anahita aparece ora como uma linda donzela com um diadema de ouro e carregando um jarro com água, ora como Mãe dourada, protetora do seu povo, nutrindo e protegendo-o dos inimigos. Suas estátuas a representam vestindo um manto dourado e bordado, preso com um cinto de ouro, enfeitado com peles de lontra e com uma flor de romã entre os seios. A sua coroa de ouro tem oito raios e dezenas de estrelas e ela usa brincos, colar e sapatos com enfeites de ouro.

Anahita se desloca em uma carruagem dourada, puxada por quatro cavalos brancos, representando o vento, a chuva, as nuvens e o granizo. Seus animais sagrados eram a pomba, a ovelha, a lontra (cuja pele reflete matizes douradas e prateadas) e o pavão por sua extrema beleza. Com o passar do tempo, Anahita foi adquirindo cada vez mais características da Deusa Ishtar, recebendo o título de “Senhora” e a sua carruagem passou a ser puxada por leões. Diferente de outras Deusas leoninas, os leões de Anahita são mansos e bebem água de uma vasilha colocada sob as rodas da carruagem, realçando assim a conexão da Deusa com a água.

Talvez tenha sido por influência dessas imagens com leões que a Deusa foi ganhando uma imagem de guerreira protetora do seu povo, descrita como sendo alta e possuidora de bastantes jóias, mas com aspecto forte de guerreira e olhar intenso. Era vista como uma mulher feroz e ameaçadora, mas também terna e sedutora. Uma mulher bastante sensual e misteriosa.

Por personificar a fertilidade da água, ela era a padroeira da procriação e dos nascimentos e o hieros gamos “casamento sagrado” fazia parte dos seus rituais. Filhas das famílias nobres eram entregues aos templos para servirem por algum tempo como hierodulas ou “amantes sagradas”; na Babilônia as jovens da nobreza ofertavam à Deusa sua virgindade. Os ritos sexuais que aconteciam nos seus templos visavam purificar a concepção e a geração de filhos abençoados por ela.

Com o passar do tempo, o enfoque dos rituais de Anahita passou a ser o seu aspecto marcial como Deusa padroeira da guerra e doadora das vitórias. Os guerreiros e chefes das tribos faziam grandes sacrifícios de animais brancos invocando a sua proteção e ajuda. Após os sacrifícios havia uma ceia comunitária com farto consumo da carne e de uma bebida ritualística, haoma, que era abençoada com encantamentos especiais, para afastar os maus espíritos e induzia um estado alterado de consciência favorecendo o contato com os Deuses.

O culto de Anahita se originou na Babilônia, sendo uma amalgamação de uma divindade indo-iraniana (o espírito das águas que fluíam do monte sagrado Hara) e das grandes Deusas do Oriente próximo. O povo armênio a chamava de “Grande Senhora Anahita, doadora de vida e de gloria para o nosso povo, benfeitora da humanidade”. Suas bênçãos conferiam fertilidade e prosperidade ao país e os reis eram coroados nos seus templos pelas rainhas, para assim receber sua bênção e proteção. Da Armênia seu culto alcançou diversas regiões do leste de Ásia, se tornando preponderante na Pérsia no tempo de Zoroastro.

Com a chegada do islamismo no séc. VII, o zoroastrismo perdeu sua posição de religião dominante no Irã, seus adeptos foram convertidos e os templos de Anahita transformados em mesquitas. Porém mesmo na era pós-zoroastriana, o imperador Artazerzes II (que regeu entre 404-358 a.c.) dedicou inúmeros templos e estátuas para Anahita, que continuou sendo reverenciada em diversas cidades como uma poderosa e amada Deusa, antes que o seu culto fosse diminuindo e substituído pelo de Mithra e Ahura Mazda.

Nas escavações dos templos de Anahita na Pérsia (agora em ruinas) foram achados nas paredes adornos em prata e ouro, além de inúmeras jóias de ouro incrustadas com pedras preciosas, que tinham sido ofertadas à Deusa. Em Lorestan foram achados objetos datados do primeiro milênio a.c. diversas argolas de bronze e cobre, com placas gravadas com a figura e o nome da Deusa. O achado mais importante foi de uma estatueta de argila de 19 cm, adornada com pulseiras, brincos e colar de esmeraldas, enquanto em várias moedas a cabeça da deusa aparecia envolta em um halo de luz.

Em Bishapur, no lugar do templo e palácio construídos por Artaxerxes, existia um canal que trazia água do rio Shapur e o distribuía ao redor do complexo de escadas e paredes, passando sob o templo e dando assim a impressão de uma ilha nascendo das águas abençoadas da Deusa. Sob as ruinas dos templos de Anahita foram encontradas fontes encrustadas nas rochas e o som sagrado das suas invocações era chak-chak, significando “gotejar” na língua persa.

Salvas a Anahita!

Imagem: Digital Art by Michael C. Phifer.

http://mikephifer.deviantart.com/art/Anahita-by-Tooba-Rezaei-for-GODS-and-GODDESSES-599345778

Dia em Honra da Deusa Cibele.

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Cibele é a Deusa-Mãe (Magna Mater) dos mortos, da fertilidade, da natureza e da agricultura. Alguns a consideram “mãe de todos os seres”. A origem do seu mito advém da região centro-oeste na antiga Ásia Menor (Anatólia) denominada Frígia, atual Turquia. Assim, Cibele é considerada a principal divindade Frígia, a “Mãe Montanha”, aquela que foi adorada na montanha da Frígia que ficou conhecida como o “Monte Cibele”.

Diante disso, Cibele representa a Deusa das montanhas, das cavernas, das muralhas, das fortalezas, da natureza e dos animais selvagens e a criadora da humanidade. Seu culto se espalhou por diversos lugares, tornando-se uma figura presente em diferentes mitologias, principalmente na grega e na romana.

Para os gregos, Cibele era a encarnação de Reia, a Deusa mãe, filha de Urano (céu) e de Gaia (terra). O culto de Cibele foi trazido da Frígia para Roma no século III a.C e para eles, a Deusa era adorada sob forma de pedra, uma vez que segundo a lenda, ela nasceu de uma pedra negra lançada dos céus; além disso, estava associada à Deusa romana Ops, Deusa da terra, da natureza, da abundância e da fertilidade.

Cibele e Átis

Cibele apaixona-se por um jovem frígio muito belo, chamado Átis que se tornou seu consorte. Fez um pacto de castidade com ele, mas Átis findou traindo sua amada com a ninfa Sangaride. Desiludida, Cibele deixa Átis louco e numa de suas manifestações de insanidade, ele resolve se mutilar (em alguma versões, ele se castra, cortando seu membro sexual).

Arrependida de sua ação, Cibele resolve transformá-lo num pinheiro, árvore que se tornou símbolo da imortalidade. Nesse ínterim, Cibele também esteve associada à divindade da vida, da morte, do renascimento e da ressurreição.

Representação de Cibele

Cibele é representada sentada em um vestido longo com uma coroa de torres, as quais representam as cidades que estão sob a sua proteção, além de um véu que cobre todo seu corpo. Ademais, surge com seus símbolos: o tímpano (tympanon: instrumento musical de percussão) ou tamboril; a cornucópia (vaso em forma de chifre, cheio de frutas e flores) que simboliza a fertilidade, a riqueza e a abundância; acompanhada de seu leão, símbolo de força e poder.

Em outras representações, seu carro é puxado por leões, o qual indica sua força dominadora, bem como sua função de guia da força vital. Em alguns casos, encontramos representações de Cibele sentada debaixo da árvore da vida, cercada de leões e flores, simbolizando a fertilidade e a abundância.

Salvas a Cibele!

Imagem: Museu Arqueológico Nacional de Nápoles.

https://studiahumanitatispaideia.wordpress.com/2014/04/16/cibele-la-grande-madre-degli-dei/